A digitalização acelerada e a expansão dos sectores económicos em Angola estão a transformar profundamente a forma como as organizações operam. Neste contexto, temas como governança, risco e conformidade (GRC) deixam de ser exclusivos das grandes instituições financeiras e passam a ser uma preocupação transversal a empresas de todos os sectores.
Ainda assim, muitas organizações continuam a encarar a conformidade como uma exigência burocrática, quando, na realidade, ela pode ser uma ferramenta poderosa para estruturar decisões, fortalecer a confiança do mercado e criar bases sólidas para o crescimento sustentável.
REGULAÇÃO COMO ORIENTAÇÃO ESTRATÉGICA, NÃO APENAS OBRIGAÇÃO
O ambiente regulatório angolano tem evoluído de forma significativa. Entidades como o Banco Nacional de Angola (BNA), a Comissão do Mercado de Capitais (CMC), a Agência Angolana de Regulação e Supervisão de Seguros (ARSEG) e outros reguladores sectoriais têm reforçado requisitos relacionados com segurança, gestão de risco, continuidade de negócio e governança corporativa.
Mais do que uma imposição, este enquadramento regulatório oferece às empresas uma estrutura clara para melhorar os seus processos, aumentar a transparência e fortalecer a confiança junto de clientes, investidores e parceiros.
RISCO REGULATÓRIO: ANTECIPAR PARA DECIDIR MELHOR
A experiência mostra que muitas organizações ainda operam com processos pouco documentados, políticas informais e controlos limitados sobre riscos críticos. Quando uma auditoria regulatória ocorre, essas lacunas podem tornar-se visíveis e gerar impactos relevantes, como sanções, restrições operacionais ou desafios reputacionais.
Antecipar esses riscos não é apenas uma questão de conformidade, mas de estratégia empresarial. Estruturar processos, mapear riscos e implementar controlos permite às organizações tomar decisões mais informadas e reduzir incertezas.
O QUE OS REGULADORES E O MERCADO VALORIZAM HOJE?
Tanto os reguladores como o mercado estão cada vez mais atentos a temas como:
- Proteção de dados e privacidade
- Segurança cibernética e resiliência operacional
- Gestão de risco e continuidade de negócio
- Governança corporativa
- Prevenção de fraude e lavagem de dinheiro
- Auditoria interna e controlos robustos
Empresas que estruturam estes pilares não apenas reduzem riscos, como também se tornam mais atractivas para parcerias, financiamento e expansão.
CONFORMIDADE COMO CULTURA ORGANIZACIONAL
Um equívoco comum é associar conformidade a documentos e normas isoladas. Na prática, conformidade é uma cultura organizacional que se traduz em comportamentos, processos e decisões quotidianas. Ela envolve:
- Políticas e procedimentos claros
- Gestão contínua de riscos
- Monitorização e controlos internos
- Auditorias e revisões periódicas
- Formação e sensibilização dos colaboradores
Quando estes elementos estão integrados, a organização ganha previsibilidade, eficiência e confiança institucional.
GOVERNANÇA COMO DIFERENCIAL COMPETITIVO
Casos recentes no mercado angolano demonstram que falhas de governança podem ter impactos significativos. Por outro lado, empresas que investem em estruturas de governança robustas conseguem responder melhor a crises, atrair investimento e consolidar a sua reputação.
Num ambiente cada vez mais competitivo, a governança deixa de ser apenas uma função de controlo e passa a ser um factor de diferenciação estratégica.
NORMAS INTERNACIONAIS COMO REFERÊNCIA DE MATURIDADE
Normas como a ISO 27001 (Segurança da Informação) e a ISO 9001 (Gestão da Qualidade) oferecem frameworks reconhecidos internacionalmente para estruturar processos, controlar riscos e promover melhoria contínua.
Na New Cognito, estas certificações refletem a nossa própria maturidade interna e a forma como estruturamos os nossos serviços e processos. Elas são uma base que nos permite apoiar organizações no desenho e implementação de modelos de governança e conformidade alinhados às melhores práticas internacionais.
CONFORMIDADE COMO INVESTIMENTO ESTRATÉGICO
À medida que Angola consolida o seu ecossistema regulatório e digital, a conformidade tende a tornar-se um dos principais factores de competitividade empresarial.
Tratar governança, risco e compliance como um investimento — e não como um custo — permite às organizações construir estruturas mais resilientes, tomar decisões mais informadas e fortalecer a confiança do mercado.
Acreditamos que a conformidade não deve ser vista como um mecanismo punitivo, mas como uma oportunidade para estruturar, antecipar e crescer de forma sustentável.
UMA REFLEXÃO PARA 2026
Se 2026 será um ano de oportunidades para as empresas angolanas, então também pode ser o ano de reforçar estruturas de governança e conformidade. Um diagnóstico de maturidade, mesmo simples, pode ser o primeiro passo para identificar riscos, priorizar investimentos e alinhar a organização às exigências regulatórias e às expectativas do mercado.
A New Cognito acredita que a governança, risco e compliance (GRC) não devem ser vistos como uma exigência, mas como uma base de crescimento sustentável. É possível, sim, construir empresas mais resilientes, mais confiáveis e mais atractivas para reguladores, clientes e parceiros.
Convidamos as organizações angolanas a avaliarem, de forma estruturada e antecipada, o seu nível de maturidade em governança, risco e conformidade. Através de diagnósticos independentes, frameworks de GRC e planos de ação personalizados, apoiamos as empresas a identificar lacunas, priorizar investimentos e alinhar-se às exigências regulatórias e às melhores práticas internacionais.
Estar preparado não é apenas uma questão de conformidade, mas de estratégia. Com o apoio certo, é possível transformar requisitos regulatórios em vantagem competitiva, fortalecer a confiança do mercado e garantir continuidade operacional com previsibilidade.
| CELSO RODRIGUES – Head of Advisory Services & GRC, New Cognito
